terça-feira, 13 de junho de 2017

A obsessão pelo sucesso


Poucas coisas são tão atraentes quanto o sucesso: atingir metas, superar-se, conquistar, ser reconhecido. O homem moderno – e talvez em todas as épocas – sempre tem sido movido pela ambição, que na sua essência, não é necessariamente ruim, mas que pode, facilmente, se transformar em cobiça, ganância e até mesmo obsessão.

Curiosamente, o insucesso pode trazer novas perspectivas e nos livrar de um desastre moral ou espiritual. Henry Ford afirmou que “o insucesso é apenas uma oportunidade para recomeçar com mais inteligência”. A obsessão pelo sucesso pode transformar-nos em seres sem consciência e sem alma, e podemos nos perder no afã de termos reconhecimento ou popularidade.

Um dos alpinistas mais conhecidos do mundo é Ed Viesturs, que escalou todos os 14 picos do Monte Everest. O que o distingue dos demais é o fato de ter alcançado os cumes sem a ajuda de um tanque de oxigênio. Imprudência nunca foi sua característica. Em 1987, quando estava a 100 metros de um cume, ele voltou. Estava sem corda para escalada e ficando escuro. Sua frase tornou-se imortal: “Chegar ao topo é opcional, mas descer é obrigatório. Muitas pessoas se concentram no cume e se esquecem desta verdade”.

Esta febre por estar no ponto mais alto certamente é a causa de muitas escaladas desastrosas. Em 10 de maio de 1996, o Everest tirou a vida de oito veteranos que conseguiram chegar ao tempo apesar de grandes obstáculos e clima hostil. Empolgados pela conquista, se esqueceram dos riscos e quando estavam descendo, uma tempestade os atingiu e todos eles morreram.

Muitas pessoas estão perdendo sua vida pela obsessão de chegar ao topo. A febre pela conquista não se aplica apenas ao montanhismo, mas a todas as áreas da vida. É fácil negociar a consciência, barganhar a fé, desprezar valores, ignorar a paz interior, quando a meta pelo poder, dinheiro e sucesso encontram-se diante do homem. O livro de Provérbios afirma: “O suborno é pedra mágica aos olhos de quem o dá” (Pv 17.8), mas sua consequência é trágica: “Suave é ao homem o pão ganho por fraude, mas depois, a sua boca se encherá de pedrinhas de areia”(Pv 20.17).

Escalar a escada do sucesso nos desnorteia. A obsessão pelo topo pode destruir. Por isto a aposentadoria significa um duro golpe para algumas pessoas, chegando a ser fatal para outras. Não necessariamente o dinheiro, mas o glamour de uma determinada posição, a mídia, o reconhecimento social. Quando chega o tempo em que temos de entregar o posto, ou nos retirarmos, devemos nos dispor a colocar tudo o que temos nas mãos de Deus, reconhecendo que foi ele quem nos deu todas as coisas.


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O que importa não é como começamos ou conquistamos, mas como terminamos.

Autor: Samuel Vieira – Pastor na Primeira Igreja Presbiteriana de Anápolis

Fonte: http://revsamuca.blogspot.com.br/

Perdemos a guerra cultural?

Uma das questões menos compreendidas nas últimas décadas é o impacto do cristianismo na civilização ocidental. Pessoas simplesmente assumem valores que conservam a sociedade coesa, como se sempre tivesse sido assim e como se isso fosse continuar para sempre. Crentes se alienam em exercícios semanais de devoção e excitação espiritual com poucos reflexos morais e nas atividades do dia a dia. Vivem em staccato, de domingo a domingo, ansiando pelos ajuntamentos, sem serem verdadeiramente sal da terra e luz do mundo. Esquecem-se das lições da história, de que a Reforma do Século 16 tirou a civilização ocidental das trevas características da idade média, com a sua mensagem e influência.

Descrentes querem viver a vida moral dissoluta, mas dentro de uma estrutura da sociedade que garanta sua segurança, seus bens, seu progresso profissional, sua voz de reclamar, de reivindicar, de usufruir do avanço da ciência e dos bens de consumo, de desfrutar as benesses do “capitalismo”, sem se aperceberem que tais “direitos” vieram exatamente porque a sociedade ocidental, ou a cultura judaico-cristã influenciou a construção dessa sociedade em que vivemos e na qual estamos acostumados a coexistir. Estão cegos quanto ao obscurantismo que impera nas regiões onde a influência do cristianismo cessou de existir, ou onde ainda não chegou. Não enxergam os exemplos presentes e que a norma, para uma humanidade caída em violência e pecado, é a desvalorização da vida que se observa onde impera o islamismo, ou o hedonismo cruel das ditaduras despóticas que adoram algum “líder supremo”, que assim se autoelege.

Na medida em que valores cristãos vão sendo ridicularizados e descartados essa sociedade vai se fragmentando cada vez mais. Não é surpresa para ninguém que a falta de ênfase primária à questão de segurança tem levado à criminalidade desenfreada (pelos valores cristãos, este seria o propósito principal do governo, segundo Romanos 13.1-7). A ignorância do valor da honestidade (pelos valores cristãos, a cobiça é condenada) permeia não somente os políticos e empresários corruptos, mas o dia a dia das pessoas, que também querem levar vantagens indevidas. O descaso pela instituição do matrimônio (pelos valores cristãos, é a união entre um homem e uma mulher), tem desfigurado a célula mãe da sociedade e desnudado um futuro grotesco onde o comportamento pecaminoso é glorificado e elevado como expressão máxima da liberdade individual, que se coloca acima de qualquer padrão ou princípio. O desrespeito à propriedade (pelos valores cristãos, o mandamento “não furtarás”, continua válido, como os demais que regulam as relações entre os semelhantes), tem levado a protestos ou reivindicações com quebra-quebras, invasões, apropriações e espoliações do que é alheio.

Nesse cenário, algumas vozes, conscientes dos benefícios de uma sociedade firmada em cima de princípios cristãos, têm proclamado que estamos em outra era. Devemos mesmo é esquecer essa sociedade que conhecemos e admitir que perdemos a guerra cultural. O mal venceu. A situação não vai melhorar e estamos irremediavelmente fadados ao ostracismo, à rejeição, ao ridículo e até à extinção como tribo defensora de valores e princípios ultrapassados. Nem todos, mas muitos evangélicos, desde os rincões mais arminianos até os bolsões conhecidos como reformados, têm abraçado esse entendimento.

O que fazer, então? A escritora Leah Farish[1] aponta algumas respostas que têm surgido de autores fora do campo evangélico. O russo-ortodoxo Rod Dreher escreveu um livro intitulado The Benedict Option (A Opção Benedito), que vem causando furor e muita discussão, até em meios reformados. Nesse livro, analisando a sociedade norte-americana, ele aponta a perda inexorável dos limites de civilidade e a crescente hostilidade aos princípios cristãos, de tal maneira que não há mais clima de diálogo, promoção ou aprendizado dos valores cristãos. A solução, para aqueles que ainda presam esses valores, seria se fecharem em comunidades nas quais esses princípios pudessem ainda ser observados. Um outro autor, desta feita católico romano, Alasdair McIntyre, também tem ideias semelhantes e advoga essa clausura de autopreservação para que essa nova idade negra, na qual reinarão bárbaros filosóficos, possa ser atravessada.[2]

As referências da Opção Benedito, são, em parte, a pontuações feitas pelo atual Papa[3] (Benedito, ou Bento XVI). No entanto a lembrança é levada, mais especificamente, ao Benedito (ou Bento) do 6º Século d.C. (480-547 – não confundir com o Benedito do século 16, 1526-1589), quando os cristãos fugiram dos bárbaros e se agruparam no deserto, carregando consigo o germe redentor da civilização que estava em perigo. A referência é que a barbárie demanda o retorno a um isolamento em mosteiros.

Mas será que essa análise está correta? Sem descartar a precisa visão dos problemas filosóficos, éticos e comportamentais que nos assolam, as soluções apresentadas não parecem se harmonizar com a visão de uma compreensão bíblica adequada, resgatada pela teologia da Reforma do Século 16. A Bíblia não ensina o monasticismo como solução à pecaminosidade do mundo (Assim orou Jesus: “Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal”, João 17.9), mas o envolvimento firmado na verdade para que sejamos “sal da Terra” (Mateus 5.13), preservando a sociedade na qual vivemos; e “luz do mundo” (Mateus 5.14); luz no meio das trevas, apontando os caminhos e revelando a iniquidade pelo contraste com a verdade proclamada.

Com isso parece concordar Leah Farish, que diz, no artigo já citado, “a Opção Benedito contrasta com as raízes da fé reformada”! As 95 teses de Lutero foram um manifesto explosivo contra a cultura reinante; Calvino lutou para reformar o pedaço de civilização sobre o qual tinha autoridade e sua influência sobre a cultura do mundo ocidental é imensurável. Pode haver alguma validade na sugestão dos crentes verdadeiros se agruparem, em reflexão, para estudarem a Palavra e delinearem estratégias sobre a batalha na qual já estamos envolvidos, mas nunca recorrer à formação de um gueto cristão. Leah Farish relembra que os Judeus, na Polônia, inicialmente ficaram satisfeitos em serem colocados em comunidades reclusas, os guetos. Afinal, iam poder viver em paz, sem perseguição e praticar sua religião. Mas, o extermínio foi o passo subsequente.

Como Paulo, reivindiquemos nossa “cidadania romana”, e proclamemos o que temos de proclamar!



[1] Artigo postado no site da World Reformed Fellowship (WRF): Is The Benedict Option an Option?, disponível em: http://wrfnet.org/articles/2017/03/wrf-member-leah-farish-asks-benedict-option-really-option#.WNJ8rYWcGP8
[3] Por exemplo: “Estamos nos movendo em direção a uma ditadura do relativismo, que não reconhece nada como certo e cujo objetivo supremo é o ego e os desejos de cada um”, citado em: http://www.catholic.org/news/national/story.php?id=34057

Afinal, o Que é Orar?


Orar a Deus deveria ser uma coisa simples. Todavia, poucos assuntos precisam de mais esclarecimentos do que a oração. Há muitos conceitos errados sobre a oração por causa do misticismo e da superstição que acometem o ser humano (não somente os brasileiros), por falta de mais conhecimento bíblico sobre o assunto e por causa de ideias equivocadas que as pessoas têm sobre Deus. Seguem alguns pontos sobre oração que penso que são fundamentais e também relevantes para nós hoje. Estou pressupondo o básico: quem vai orar acredita que Deus existe e que Ele recompensa os que o buscam (Hb 11.1-2 e 6).


1 – Orar é basicamente apresentar a Deus, mediante Jesus Cristo e com a ajuda do Espírito Santo, nossos desejos, necessidades, confissão de pecados, intercessões, agradecimentos. A razão é que somente o Deus Triúno conhece nossos corações, é capaz de atender os pedidos e o único que pode perdoar pecados. Portanto, não há qualquer fundamento bíblico para dirigirmos nossas orações a quaisquer criaturas, vivas ou mortas, mas somente ao Deus Triúno (2 Sm 22:32; 1Rs 8:39; Is 42:8; Sl 65:1-4;145:16,19; Mq 7:18-20; Mt 4:10; Lc 4:8; Jo 14:1; At 1:24; Rm 8:26-27; Jo 14:14 e dezenas de outros textos que falam de nos dirigirmos a Deus).


2 – O Novo Testamento nos ensina que devemos orar a Deus em nome de Jesus Cristo. A razão é que o pecado nos afastou de Deus e não podemos nos aproximar dele por nossos próprios méritos. Jesus Cristo é o único, na terra e no céu, que foi constituído pelo próprio Deus como mediador entre ele e os homens. Não há qualquer base bíblica para se chegar a Deus em oração pela mediação de qualquer outro nome. A Bíblia nos ensina que “não há outro nome dado aos homens” (At 4:12) e que “há somente um mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo” (1Tim 2:5). (Ver ainda Jo 14:6; Ef 3:12; Cl 3:17;Hb 7:25-27;13:15).


3 – Orar em nome de Jesus é nos achegarmos a Deus confiados nos méritos de Jesus Cristo e no perdão de pecados que ele nos conseguiu por meio de sua morte na cruz. É pedir a Deus com base nos merecimentos de Cristo e não nos nossos. É renunciar a toda justiça própria e chegarmos esvaziados de nós mesmos diante de Deus, nada tendo para oferecer em nosso favor a não ser a obra daquele que morreu e ressuscitou por nós. Onde não houver esta disposição e atitude, invocar o nome de Jesus é vão. O nome de Jesus não é um talismã ou uma palavra mágica, ou a senha para desbloquear as bênçãos de Deus. Não funciona nos lábios daqueles que ainda confiam em si mesmos e na sua própria justiça, ainda que repitam este Nome dezenas de vezes em oração (Mt 6:7-8; 7:21; Lc 6:46-49; Jo 14:13,14; At 19:13-16; 1Jo 5:13-15; Hb 4:14-16).


4 – Embora possamos pedir a Deus qualquer coisa que desejarmos, todavia, só deveríamos orar por aquelas que trazem a maior glória de Deus, que promovem o crescimento do Reino de Deus neste mundo e que são para nosso bem, sustento, proteção, alegria, bem como de nosso próximo. Foi isto que Jesus nos ensinou a pedir na oração do “Pai Nosso” (Mt 6:9-13), além de outras coisas afins (Lc 9:11-13). Assim, é tentar a Deus orarmos por coisas ilícitas e pedir coisas que Ele declara, na Bíblia, serem contra a sua vontade (Tg 4:1-3; Mt 20:20-28).


5 – Em nossas orações, deveríamos nos lembrar de orar por outras pessoas. A Bíblia nos ensina a pedir a Deus pelos irmãos em Cristo, pela Igreja de Cristo em todo o mundo, pelos governantes, por nossos familiares e pessoas de todas as classes, inclusive pelos nossos inimigos. Todavia, não há qualquer base bíblica para orarmos pelos que já morreram ou oferecer petições em favor dos mortos (Gn 32:11; 2Sm 7:29; Sl 28:9; Mt 5:44; Jo 17:9 e 20; Ef 6:18; 1Tm 2:1-2; 2Ts 1:11; 3:1; Cl 4:3).


6 – Deus nos encoraja a trazer diante dele as nossas petições. Todavia, ainda que a eficácia de nossas orações dependa exclusivamente dos méritos de Cristo, Deus nos ensina em sua Palavra que há determinadas atitudes nos que oram que fazem com que ele não atenda estas orações, como brigas entre irmãos, mundanismo e egoísmo, tratar mal a esposa, pecados ocultos, incredulidade e dúvidas, falta de perdão a quem nos ofende, hipocrisia, vãs repetições, entre outras coisas (Mt 5:23-24; Tg 4:1-3; 1Pe 3:7; Sl 66:18; Pv 28:13; Is 59:1-2; Tg 1:6-7; Mt 6:14-15; Mt 6:5; Mt 6:7-8). Por outro lado, se nossas orações são respondidas, isto não se deve à nossa santidade, mas à graça de Deus mediante Jesus Cristo, que nos habilita a viver de forma agradável a ele (1Jo 3:21-22), e ao fato de que as orações, por esta mesma graça, foram feitas de acordo com a vontade de Deus (1Jo 5:14).


7 – Deus requer fé da parte dos que oram (Hb 3:12; 11:6; Jer 29:12-14; Tg 1:5-8; 5:15). Esta fé é uma simples confiança de que Deus existe, que ele nos aceitou plenamente em Cristo e que é poderoso para nos dar aquilo que pedimos, ou então, nos dar muito mais do que imaginamos (Hb 4:14-16). Orar com fé é trazer diante de Deus nossas necessidades e descansar nele, confiantes que ele responderá de acordo com o que for melhor para nós (1Jo 5:14-15). Orar com fé não significa determinar a Deus que cumpra nossos pedidos, ou decretar, como se a oração tivesse um poder próprio, que estes pedidos aconteçam. Orações não geram realidades espirituais e nem engravidam a história. É Deus quem ouve as orações e é Ele quem decide se vai respondê-las ou não, e isto de acordo com sua vontade e propósito de sempre nos fazer bem.


Se houvesse mais oração verdadeira a Deus por parte dos que professam conhecê-lo mediante Jesus Cristo, quem sabe veríamos aquele avivamento e reforma espirituais que tanto desejamos para nossa pátria?
“Se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e me buscar, e se converter dos seus maus caminhos, então, eu ouvirei dos céus, perdoarei os seus pecados e sararei a sua terra” (2Cron 7:14).


Autor: Dr. Augustus Nicodemus Lopes é pastor da Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia, vice-presidente do Supremo Concílio da Igreja Presbiteriana do Brasil e presidente da Junta de Educação Teológica da IPB.


Fonte: http://tempora-mores.blogspot.com.br

Espinho É Bom e Faz Crescer

“E, para que não me ensoberbecesse com a grandeza das revelações, foi-me posto um espinho na carne, mensageiro de Satanás, para me esbofetear, a fim de que não me exalte. Por causa disto, três vezes pedi ao Senhor que o afastasse de mim. Então, ele me disse: a minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo. Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo. Porque, quando sou fraco, então, é que sou forte” (2Co 12.7-10).
Às vezes, Deus diz “não”. Isso não significa que ele é mau ou que é um Deus caprichoso que age de acordo com as variações do seu humor. Antes, significa que ele sabe o que é, de fato, bom para a nossa vida e conhece perfeitamente, muito mais do que nós mesmos, quais são as coisas de que realmente precisamos. Por isso, quando Deus diz “não” como resposta às nossas orações, é nosso dever agradecer e até nos alegrarmos, sabendo que isso também é expressão da graça e do cuidado daquele que nos ama com força infinita, daquele que se dispôs a dar o seu próprio Filho por nós.
Paulo aprendeu isso às duras penas. Sendo apóstolo, ele recebeu revelações grandiosas de Deus. Sendo homem, ele correu o risco de se ensoberbecer por causa dessas mesmas revelações. E esse era um perigo real! Note bem: se vemos pessoas agindo com soberba por causa de revelações falsas e tolas que elas próprias inventam, imagine quão orgulhoso poderia se sentir alguém ao receber revelações magníficas e verdadeiras, vindas do próprio Deus! Pois bem... Esse era o caso de Paulo. Por isso, Deus lhe deu uma vacina contra a soberba. E não foi vacina do tipo gotinhas na boca. Foi uma vacina do tipo agulha doída. Deus lhe pôs um espinho na carne!
Não sabemos o que era esse espinho. Tem gente que acha que era um problema nos olhos. Teve um pregador que me disse que era uma mulher de quem Paulo havia se divorciado e que não saía do pé dele (acho que nesse caso não seria um espinho, mas sim o espinheiro completo). Porém, comentaristas mais atentos à realidade de Paulo e ao contexto histórico e textual de 2Coríntios suspeitam que o espinho na carne fosse um homem (talvez uma figura influente dentro da igreja de Corinto) que se opunha ao seu ministério, perturbando sua vida, desrespeitando-o, caluniando-o, estimulando a perseguição contra ele, desencorajando a igreja a ajudá-lo em suas necessidades e deixando-o muito abatido. Isso explicaria por que, no v.10, Paulo associa o espinho na carne a injúrias, necessidades, perseguições e angústias. Eu prefiro essa interpretação do famoso “espinho na carne”, mas sei que não dá pra afirmar isso com certeza absoluta.
Seja como for, o fato é que o pobre apóstolo pediu três vezes a Deus que o livrasse e a resposta foi um sonoro e definitivo “não”. Deus sabia o que era bom para Paulo e queria que ele continuasse a ser esbofeteado por aquele “mensageiro de Satanás” que, em última análise, foi posto por Deus, visando a manter Paulo humilde.
E não somente isso. De acordo com o texto, ao cravar aquele espinho na carne do seu servo, Deus não quis apenas protegê-lo da soberba, mas também ensiná-lo. O espinho não tinha um propósito meramente preventivo, mas também didático. Deus é médico, mas também é professor. O espinho doloroso, além de proteger Paulo do vírus do orgulho, serviria ainda para ensinar ao apóstolo uma lição importante sobre a graça: ela é suficiente para o crente, de maneira que ele não precisa de mais nada.
Assim, entre o livramento e a graça, o cristão precisa mais da segunda. E pra completar o quadro, contrariando o que pensamos, o texto ensina que a graça se revela com mais força quando o livramento NÃO vem. Eis aí uma razão específica por que muitas vezes Deus diz “não”. Ele não nos livra, conforme pedimos, a fim de mostrar a suficiência e o poder da graça, conforme precisamos. Por isso, muitas vezes sofremos injúrias, necessidades, perseguições e angústias sem que Deus nos livre de nada disso. Ele tem algo maior e melhor para nós do que o livramento. E quem aprende isso fica mais forte. Tanto isso é verdade que Paulo disse: “Quando sou fraco (por causa de todas as dores e pesares), então é que sou forte (porque o poder gracioso de Deus me sustenta de forma suficiente)”.
Todos temos de aprender essa preciosa lição. Por isso, recorde-se das súplicas que você fez e que Deus não atendeu. Depois diga a ele: “Obrigado, Senhor, pelo seu ‘não’, pois, por meio dessa resposta, o Senhor me protege das minhas más inclinações e me ensina a depender da sua graça que é suficiente e que se mostra ainda mais poderosa quando estou fraco, jogado no pó”. Você pode fazer essa oração? Trata-se da oração do homem fraco que também é forte. É a oração de quem descobriu a força da graça quando estava caído, sem vigor nenhum, na lama das penúrias. É a oração do crente que aprendeu a ver a vida e seus revezes de uma nova perspectiva — uma perspectiva em que o sofrimento não aparece somente como um espinho que incomoda e machuca, mas também como um remédio que protege, fortalece e faz crescer.
Autor: Marcos Granconato - é pastor titular da Igreja Batista Redenção desde 1997. É formado em Teologia pelo Seminário Bíblico Palavra da Vida (Atibaia, SP) e é mestre em Teologia Histórica pelo Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper (São Paulo, SP)

Fonte: http://igrejaredencao.org.br

A importância dos detalhes

Um jovem casal entrou num restaurante fast food e pediu uma refeição para casa. Pagaram a comida, lhes entregaram a embalagem contendo o que haviam pedido e saíram do restaurante. Quando eles saíram o gerente percebeu que a equipe havia cometido um grave erro. Em vez de entregar a embalagem contendo seu jantar, entregaram uma na qual haviam colocado todo dinheiro arrecadado naquele dia.

Desesperados correram atrás, mas o casal já havia saído no carro e desaparecido. Logo depois, para surpresa do gerente o casal retornou dizendo que abriu a embalagem e encontrou o dinheiro dentro e veio devolver. Agradecido o gerente ofereceu-lhes uma recompensa, mas o casal não aceitou dizendo apenas que lhes entregassem o pedido do jantar que haviam feito.

O gerente então teve uma feliz ideia. “que tal se vocês ficassem aqui um minutinho a mais para que chamemos o jornal da cidade para uma fotografia e um artigo, afinal, não é fácil encontrar pessoas assim tão honestas em nossos dias?”...

O casal ao ouvir a sugestão, se virou para sair, e o gerente insistiu querendo saber a razão. O homem respondeu: “Não creio que seja uma boa ideia. Não gostaria que minha mulher me visse com outra”.

Isto mostra quanto as melhores pessoas podem cometer os piores erros. Os havaianos afirmam que “cheiro ruim pode ser encontrado até nos lugares mais doces”. São os detalhes que nos revelam, afinal, quanto menor o espinho do peixe, mais perigoso ele se torna.

Por isto precisamos aprender a nos conhecer, a descobrir os lados patológicos da alma, as fraquezas de caráter e as tendências que podem nos destruir. Geralmente as pessoas fracassam não porque são “muito ruins”, mas porque determinadas sombras são tão agressivas que os aspectos saudáveis são obscurecidos pelas manchas. Somos íntegros nas finanças, mas falhos quanto à sexualidade; somos honestos nos negócios, mas falamos sem avaliar as fontes das informações que transmitimos e a necessidade de falar sobre aquele assunto. Podemos ficar cegos perante nossas falhas e fraquezas. Veja como isto é claro neste antigo texto bíblico que nos fala de um único defeito de um homem que pode lhe ser fatal.

Todos nós cometemos erros. Se alguém pode dominar a sua língua, isso prova que ele tem perfeito domínio sobre si em tudo o mais. Podemos fazer com que um cavalo grande se volte, e vá para onde quisermos por meio de freios em sua boca. E um leme minúsculo faz com que um navio enorme se volte para qualquer lado que o piloto queira que ele vá, mesmo que os ventos sejam fortes” (carta de Tiago 3.2-4).

A verdade é que a língua, um pequeno órgão, pode causar grandes tragédias, assim como uma pequena fagulha pode incendiar uma floresta. Veja como isto é verdade em muitos personagens bíblicos: Sansão era um forte guerreiro, mas se deixou dominar por uma paixão; Davi era um respeitado rei, mas se tornou ímpio por causa da mulher de seu vizinho; Salomão era um sábio homem, mas a vaidade o transformou num homem ridículo; Judas teve o grande privilégio de andar ao lado de Jesus por três anos, mas por sua ambição traiu o amigo por trinta moedas de prata; Geazi, por seu desejo de fama, vendeu a fidelidade a Deus e negociou sua consciência.
Não são os grandes defeitos que geralmente destroem o homem... são os perniciosos detalhes.

Autor: Samuel Vieira – pastor da Primeira Igreja Presbiteriana de Anápolis

Fonte: http://revsamuca.blogspot.com.br/

segunda-feira, 29 de maio de 2017

A Arte de Ler e Interpretar as Escrituras

Introdução
O objetivo deste artigo é proporcionar três ferramentas para que um leitor leigo consiga realizar o desafio lançado por Deus de observar as Escrituras. As ferramentas são: leitura, interpretação e aplicação. A tarefa de leitura do texto bíblico, por mais incrível que pareça, tem sido cada vez deixada de lado em muitos projetos de interpretação.
Fala-se muito ou lê-se muito acerca do texto sagrado, mas dificilmente encontramos projetos que efetivamente incentivam e auxiliam na leitura do texto bíblico. Falando de interpretação, não seria um exagero dizer que tudo o que a mente humana lê ou vê é submetido a algum tipo de interpretação. Ela as vezes são conscientes e inconscientes, como na leitura de um aviso indicado “desembarque” no aeroporto; em outros casos específicos, como na leitura de um texto bíblico, a tarefa de ler e interpretar requer disciplina e estratégias que não acontecem inconscientemente, mas são habilidades que precisam ser desenvolvidas. Diante destes fatos, iremos ajudá-lo com ferramentas interpretativas para um melhor aproveitamento na leitura e estudo bíblico.

A Importância de Ler antes de Interpretar
Estudar a Bíblia nunca foi uma tarefa fácil. Enganam-se os que pensam que os cristãos do AT e NT liam os textos bíblicos e entendiam perfeitamente o seu sentido, aplicação e relevância para o seu contexto. Há vários exemplos que poderiam ser apresentados para defender esta posição, mas apenas um será suficiente, o caso do profeta Daniel.
Deus se revela aos seus profetas por meio de visões e sonhos. Mais especificamente, os profetas podiam ter inúmeras visões em um único sonho, conforme lemos em Daniel 7.1: “… Daniel teve um sonho e visões enquanto estava deitado em sua cama…”. Mesmo sendo um profeta, Daniel não entendeu exatamente o sentido daquelas visões que ele estava recebendo.
Porém, isso não significa que a linguagem utilizada por Deus era cheia de problemáticas, enigmas e mistérios que somente uma pessoa altamente qualificada poderia entender. Sabe por que? Porque Daniel era essa pessoa, alguém com sabedoria acima da média dos seus contemporâneos.
Mesmo assim, a Palavra de Deus dirigida a ele por meio dos sonhos e visões não eram perfeita ou imediatamente compreensíveis. Se isso aconteceu com o profeta Daniel, por que não seria para nós leitores contemporâneos da Bíblia?
A finalidade deste estudo visa alcançar essa compreensão que não acontece automática e de modo fácil, mas requer um esforço e estratégias que auxiliem nessa direção. Uma das expectativas com respeito a este estudo é que ao estudar a Bíblia de modo indutivo possa despertar o interesse nos leitores da Bíblia por um significado mais relevante para suas vidas.

Cinco Perguntas Interpretativas
O primeiro passo no início de uma interpretação bíblica é identificar a presença de detalhes importantes no texto por meio das chamadas perguntas interpretativas (perguntas chaves). Nem todos estudantes da Bíblia concordam com o uso de perguntas para induzir o leitor a observar somente alguns aspectos no texto, mas a prática tem mostrado que as inúmeras perguntas, dúvidas, interesses e curiosidades trazidos pelo leitor acabam pulverizando a mensagem central do texto, tornando-a em alguns casos quase imperceptível.
Estas ferramentas nos ajudarão na visão panorâmica do texto que é, de certa forma, o “cardápio” de todas as possibilidades e peculiaridades do texto. Antes de iniciar uma interpretação é sempre bom saber quais são as principais questões tratadas no contexto mais amplo para que, em seguida, seja possível identificar os detalhes das partes menores. Isto impede que tenhamos um interesse desproporcional em apenas um aspecto da narrativa em questão.

QUEM? Identificando os Personagens

– Narrador:
  1. Apresenta a História;
  2. Tem a última palavra;
  3. Está fora da cena.
– Personagem:
  1. Encena a história;
  2. Opinião provisória;
  3. Está dentro da cena.
– Assunto:
  1. Não deve ser tratado nesta categoria, mas sim como “o quê”.

A primeira tarefa no trabalho de leitura e interpretação de um texto bíblico é descobrir a identidade e tipo de pessoas falando no texto. Há pelo menos dois tipos de pessoas que nos interessam inicialmente. Primeiramente, temos aquele que narra os acontecimentos (o narrador), e o segundo, o que participa da narrativa como um agente que está praticando, praticou ou praticará uma ação (o personagem).
narrador apresenta os personagens sempre na terceira pessoa do singular além de emitir opiniões conclusivas sobre o que está ocorrendo na cena. O narrador na maioria das narrativas bíblicas parece ser onisciente, pois é capaz de ver ações que foram realizadas em segredo, de ouvir conversas que aconteceram a portas fechadas, parece estar bem familiarizado com as cogitações mais íntimas do personagem, sendo capaz de descrevê-las a nós. No caso dos textos bíblicos, esta onisciência do narrador se deve ao fato de ele ser inspirado. Logo, o narrador sempre terá a palavra final acerca dos eventos e dificuldades apresentados na narrativa.
O segundo tipo, os personagens, são aqueles que encenam a história participando efetivamente da cena em questão. Quando um personagem é apenas mencionado pelo narrador, não permitindo que ele ou ela participem nos diálogos, estamos diante do terceiro tipo de pessoa: o personagem assunto. A identificação do personagem não é apenas dar nomes às pessoas que aparecem e atuam na narrativa, mas descobrir o nível de interferência que eles têm no desenvolvimento da história.
A resposta dessa primeira pergunta interpretativa será, em grande parte, um substantivo comum ou próprio. O personagem é geralmente uma pessoa e raramente um objeto ou um local. Uma regra geral: sempre que o pronome pessoal aparece, é indispensável que a interpretação identifique quem é o personagem em questão. Se em algum momento, ocorre palavras do discurso de alguém sem a sua identificação inicial, o contexto imediato anterior ou posterior, o contexto todo, irá nos informar que é o personagem e o responsável pelas palavras ditas no trecho lido.
Em alguns casos o personagem é o narrador, que apresenta o discurso de algum personagem, por exemplo: “Tendo o Senhor falado…” ou “O Senhor disse…”. Outro caso seria do narrador o responsável pelo discurso, mencionando algumas pessoas, elas são consideradas apenas como o assunto e não como personagem.
Já o pronome pessoal na primeira pessoa do plural – NÓS, gera um desafio maior ao leitor, pois levanta perguntas como: quantas e quais são as pessoas apontadas pelo pronome pessoal no plural? A resposta está em ler o contexto anterior e posterior para descobrir as personagens do texto.
Concluímos que a identificação do “QUEM” é um passo inicial e fundamental para a tarefa de interpretação. Resolver o “QUEM” está falando é o primeiro passo para uma boa leitura interpretativa, pois evita de atribuirmos expectativas alheias ao personagem em questão.

O QUÊ? Identificando o Assunto
A segunda tarefa no trabalho de leitura interpretativa das Escrituras visa a identificar o assunto, isto é, o que está acontecendo, aconteceu ou acontecerá na narrativa. A identificação do assunto estará relacionada a um verbo ou uma ação verbal: alguém realizou alguma coisa ou sofreu a ação de algo que foi feito.
O que realmente está acontecendo nesta cena?
– Passo 1: Alguma coisa foi feita, dita ou pensada por alguém ou para alguém
– Passo 2: Quem? Personagens presentes na cena
– Passo 3: O quê? Personagens + Elementos do cenário
– Possibilidades: Imagina a figura de uma mãe com o seu filho e ao lado uma árvore. As possibilidades de uma figura como essa comunicar são inúmeras, mas vamos nos deter em apenas três: (a) Uma mãe está passeando com o filho no parque; (b) Um policial encontrou uma criança perdida no parque; (c) Disse a mãe: “Filho, esta árvore foi plantada no dia em que eu nasci”.
Inicialmente, é sempre bom identificar os verbos nas orações principais, pois eles nos dão uma ótima indicação do que o texto está tratando. Mas, nos textos poéticos é comum o leitor perder de vista o assunto que está sendo dito por conta do inúmeras figuras e paralelismos utilizados. Uma boa dica para descobrir o assunto é iniciar o trabalho redigindo um paralelismo entre os verbos utilizados naquele trecho e os personagens.
Uma regra de ouro para a leitura e a interpretação de um texto é a identificação de verbos no imperativo ou verbos que constroem uma pergunta. O verbo no imperativo indica que uma ordem foi dada (ou um desejo foi expresso) e o valor e urgência desta ordem serão determinados pelo “quem” respondeu por ela. Algumas atitudes que podem surgir diante da ordem: (a) ignorar; (b) demorar para responder; (c) responder imediatamente; (d) questionar a autoridade daquele que deu a ordem.
No caso dos verbos que estão ligados a perguntas, a atenção é a mesma, ou seja, o “quem” relacionado com as perguntas é fundamental para indicar quais perguntas merecem nossa atenção. As perguntas são conectores valiosos que nos sinalizam a relação entre as partes de uma narrativa.

POR QUÊ? Identificando o Motivo
A terceira tarefa no trabalho de leitura interpretativa das Escrituras visa a identificar o motivo por que os personagens disseram ou fizeram alguma coisa. Esta é a tarefa mais árdua de toda a interpretação. Isso se dá pelo fato de ser o conjunto das duas primeiras perguntas, e a dificuldade de identificar as primeiras perguntas comprometerão a identificação desta terceira pergunta interpretativa.
Para aumentar o nível de dificuldade, nem todos os textos estão interessados em justificar o motivo por detrás das ações realizadas, e quando existe esta possibilidade de verificar os motivos, precisamos respeitar a intenção original do autor e não investir tempo tentando encontrar outras razões.
A identificação desta terceira tarefa interpretativa deve ser orientada pela ação principal realizada pelo personagem e não por ações secundárias. Assim, investigar o motivo das ações é sempre uma tarefa complexa; ele envolve boa percepção dos fatos e o modo como eles são apresentados.
Há um risco a que precisamos estar atentos, o de usar uma explicação oferecida pelo texto (porquepoisjá que, etc) para justificar mais do que o autor planejou explicar, ou seja, cada uma destas partículas explicativas possui uma abrangência limitada e definida, que iremos classificar como micro ou macro.
Porque MACRO – Abrangência ilimitada dentro do livro, nível conclusivo definitivo e superior a porque MICRO.
Pois MICRO – Abrangência limitada, nível conclusivo inferior ao por que MACRO.
Mas como saber se realmente o texto não está interessado em oferecer os motivos? Algumas dicas importantes:
(1). A ausência de partículas porquepoispor isso, etc., não é uma conclusão para afirmar que o texto não busca explicar os motivos. Há casos quando o autor não usa estas partículas, mas apresenta a razão ou razões para o que foi dito ou feito.
(2). O motivo MACRO sempre ocorre numa frequência bem menor e é mais comum aparecer no início ou final de um livro.
(3). O motivo MACRO geralmente é dito pelo narrado.
(4). O motivo MICRO é geralmente dito por um dos personagens na narrativa e sua abrangência limita-se em um parágrafo.
(5). Quando o autor utiliza o PORQUE, o motivo sempre vem depois; quando ele utiliza POR ISSO, o motivo geralmente aparece antes.
(6) O que determina a razão apresentada em um texto se foi satisfatória ou não, não está na expectativa criada pelo leitor e sim na intenção original do autor do texto. Nossa grande dificuldade está em identificar se o MOTIVO tem a ver com o leitor e não com o texto, pois muitas vezes criamos expectativas que vão além daquilo que o texto foi originalmente escrito para responder.

QUANDO? Identificando o Tempo ou Época
A quarta tarefa no trabalho de leitura interpretativa das Escrituras visa a identificar o tempo ou época com o qual o texto que queremos ler está relacionado. Esta identificação do tempo nem sempre está relacionado com uma data específica de um evento, mas pode ser também um período quando aquela ação ou várias ações foram realizadas (por exemplo: o período do exílio da Babilônia). Alguns casos, a data do evento é muito importante para a interpretação do texto.
Há inúmeras maneiras criativas de situar os eventos nas Escrituras de modo a produzir um impacto maior na leitura e interpretação das Escrituras. A informação do tempo nem sempre está presente na narrativa lida, mas por meio de outros textos do cânon ou até mesmo por meio de literatura extra bíblica.
Na identificação do tempo é sempre recomendável manter uma diferença fundamental em mente: a data do evento não é a mesma data do texto. Porém, em alguns casos, a data do evento parece estar próxima a data do texto.

  1. Data do Evento – Período, época ou data específica quando os personagens descritos na narrativa viveram
  2. Data do Texto – Período, época ou data específica quando o autor e os primeiros leitores viveram e o texto relatando o evento foi redigido.
Como medir a Distância entre A-B?
Nomes pessoais, referências geográficas, nomes de cidades ou povos, referência a algum evento da história da redenção, uso de expressões “naqueles dias”, “até o dia de hoje”.

ONDE? Identificando o Local
A quinta tarefa no trabalho de leitura interpretativa das Escrituras visa a identificar o local dos eventos bem como o local onde o texto foi escrito. A identificação do local também requer uma diferenciação entre o local do evento e o local onde o texto, descrevendo o evento, foi escrito. Ainda que a identificação do local seja pouco descrito que as outras perguntas interpretativas, algumas vezes ela se torna crucial.
Da mesma forma que a identificação do tempo nem sempre está ligado a uma data específica, a identificação do local também não precisa ser uma referência a cidade ou região. \

Conclusão
As perguntas interpretativas (perguntas chaves) nos auxiliam a focar naquilo que é central para a mensagem original, antes de iniciarmos nossas investigações pessoais no texto. Mais do que isso, elas podem até prestar um grande auxílio em nosso interesse, pessoal no texto, já que elas organizam as ideias dentro de uma lógica que permite muitas aplicações.

Sou o Thiago Convento, casado com a Ellen. Tenho 36 anos e sou pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil. Gosto de ler e assistir Séries. Não tenho comida favorita, mas tenho as desfavoritas: Berinjela e Jiló,

fonte: http://tsbr.org.br/blog/a-arte-de-ler-e-interpretar-as-escrituras/


quinta-feira, 25 de maio de 2017

MINHA MÃE MERECE O MELHOR

            
Qual a sua resposta para esta pergunta: Qual o melhor presente você gostaria de dar para sua mãe? Certamente você vai pensar em uma viagem, uma jóia, uma vestido especial, um perfume muito caro ou até mesmo uma casa nova! Mas se você perguntasse a ela o que ela te diria? Certamente muitas dessas mães nem pensariam nessas coisas...
            Vivemos em uma sociedade que tem sido ensinada a ser extremamente egoísta. Existe uma palavra africana chamada de Ubuntu que basicamente significa: “sou quem sou porque somos todos nós”. Essa palavra nos ensina que só somos realmente felizes quando nossos semelhantes também são felizes. Ou seja, não adianta eu ter tudo que me traz conforto quando meu semelhante não possui o básico para o seu sustento! E o que isso tem a ver com um presente pra mãe? Obviamente tudo! Se não formos capazes de dar a nossas mães o que elas mais precisam então significa que estamos falidos enquanto sociedade. E o que nossas mães mais necessitam?
            Para responder a essa pergunta vamos nos valer da declaração de Jesus  registrado em Mateus 15.4 ecoando as palavras de Deuteronômio:  Porque Deus ordenou:  Honra a teu pai e a tua mãe; e: Quem amaldiçoar a seu pai ou a sua mãe seja punido de morte.” A atitude de honrar só é plenamente possível quando verdadeiramente se ama a pessoa. Encher uma mãe de presentes pode parecer uma atitude muito nobre de honra, porém pode esconder um filho distante e apático para com sua mãe. E não poucas são as vezes em que ouvimos tantas histórias de filhos que maltratam suas mães.  Deus abomina isso de tal modo que disse que tal filho fosse punido de morte! Não temos o poder de tirar a vida de ninguém, porém Deus tem, então todas as vezes que um filho amaldiçoa seus pais é como se ele estivesse pedindo a Deus que o matasse. Graças a Deus que ele é muito misericordioso!
Nossas mães necessitam de amor incondicional. É isso. O que elas mais querem e almejam em seus filhos. Mas como disse anteriormente, infelizmente vivemos em uma sociedade egoísta e esse egoísmo tem penetrado os lares e feito muitos estragos nos corações de nossas mães. Filhos há que não mais honram seus pais com aquilo que mais nobre os filhos podem dar: amor e obediência. Quem ama, obedece! Jesus deixou isso claro em João 14 verso 15. É por isso que o apelo do escritor de provérbios é enfático: “Meu filho, obedeça aos mandamentos de seu pai e não abandone o ensino de sua mãe”. Não podemos virar as costas ao ensino de nossos pais. Precisamos honra-los e ama-los verdadeiramente.
E então, qual o melhor presente você gostaria de dar para sua mãe?
Agora você entendeu que o que ela mais precisa é do teu amor verdadeiro e  incondicional? É claro que você pode dar um presente físico para sua mãe, porém  qualquer coisa que você possa dar só é realmente valioso se for fruto de uma coração que ama incondicionalmente! Expresse seus sentimentos enquanto você está junto dela. Dias virão em que você não poderá mais fazer isso!


Autor: Herbert Pereira de Oliveira, pastor da Igreja Presbiteriana de Vila Operária e editor da Revista Primícias. Mestrando em Aconselhamento pelo Centro de Pós-Graduação Andrew Jumper em São Paulo.

SOBRE A BALEIA AZUL

Tenho acompanhado o grande estardalhaço que o tal do jogo: “I am Whale” – ou “Desafio da Baleia Azul” (como ficou conhecido no Brasil) – tem causado na mídia nacional. Jovens e mais jovens entrando num desafio bizarro de automutilação, aprisionamento mental e espiritual e, por fim, o suicídio.

Você já se perguntou o porquê de um número tão grande de jovens estarem vulneráveis a uma proposta tão absurda como a desse jogo? Já se perguntou como esses jovens conseguem passar por, pelo menos 49 desafios que envolvem, tatuarem-se com lâminas, cortarem os lábios, mãos e braços, saírem pelas madrugadas para lugares perigosos, acessarem substâncias tóxicas, ficarem dias trancados em seus quartos sem conversar com ninguém, e ainda assim seus pais não perceberem que havia alguma coisa errada com eles, ao ponto de, no quinquagésimo desafio, eles atentarem contra a própria vida e, só assim, chamarem a atenção de seus pais, família e amigos?

É bastante preocupante, não o jogo da baleia azul em si, mas o distanciamento entre essa juventude e seus pais. Muitos desses jovens têm acesso rápido e fácil ao Facebook, Snapchat, Twitter, Whatsapp, Instagram, Skype, Youtube, Google+, Wechat e outras mídias sociais, mas não têm acesso direto aos pais. A eles é franqueado o acesso a smartphones modernos, tablets e notebooks de última geração, mas não o ombro amigo, o ouvido preocupado e disponível; eles não têm acesso fácil a um colo, um olho no olho, um lanche na esquina, um passeio no parque, uma Escola Bíblica e um Culto a Deus com a Família. Lhes abrem as janelas para o mundo ao mesmo tempo que lhes fecha a porta dos relacionamentos familiares diretos. Não há jogo que consiga ser mais prejudicial que isso. Nesse caso, o suicídio não é uma causa em si, mas um sintoma de uma vida vazia de sentido, de afeto, e, até mesmo de disciplina, pois, como diz a Bíblia, pais que amam, disciplinam seus filhos (Hb.12:5-13).

Outra informação aterradora é que o tal do jogo da baleia é fictício! Uma notícia falsa, um sensacionalismo cibernético. O que torna a situação ainda pior, pois mostra que esses jovens têm morrido, literalmente por nada. Essa baleia nada no mar da solidão, desilusão, da falta de bons modelos. Mares silenciosos e profundos, cheios de um gélido nada existencial. Águas de ninguém.

E qual a solução para isso? Não vejo outra que não seja uma volta aos valores familiares que, outrora eram fundamentais e basilares, mas que, hoje, têm sido desintegrados por uma sociedade centrada em indivíduos, como se o mundo fosse composto por um monte de indivíduos desligados um do outro, sem história, sem relacionamentos, como um monte de folhas soltas ao vento.

É preciso que esvaziemos os tanques onde essa baleia possa nadar. Um tanque de relacionamentos líquidos, frívolos, utilitaristas, vampirescos e instáveis.

Precisamos de relacionamentos sólidos, palpáveis, estáveis, fundamentados em princípios básicos estabelecidos por Deus. Precisamos, nós e nossos filhos, nos voltarmos para o Deus Criador, de maneira que estejamos sujeitos completamente à Sua vontade, resistindo às baleias azuis e a todos os outros engodos desse mundo, e eles fugirão de nós (Tg.4:7), pois não encontrarão espaço para nadar em um mar governado por Deus.


Alessandro Capelari – Pastor na Igreja Presbiteriana do Brasil em Maringá PR

Mestrando em Aconselhamento Bíblico pelo Centro de Pós-Graduação Andrew Jumper - SP