Certo médico
cardiologista colocou no seu consultório um quadro do Titanic pendurado na
parede. Seu objetivo era claramente didático. Invariavelmente seus pacientes
perguntavam se aquele era o navio mais luxuoso e seguro do mundo, “que nem
mesmo Deus poderia afundar”, e que naufragou fragorosamente na sua viagem de
inauguração ao bater num iceberg. Quando a pergunta era feita, ele respondia
que sim e provocava o diálogo com seus pacientes.
-“É
interessante você tocar neste assunto. Sabe por que o tenho aí? Sabe alguma
coisa do Titanic?”
Os pacientes
em geral não sabiam muita coisa, e ele então explicava:
-“Bem, por
seis vezes, o experiente capitão deste navio foi advertido para diminuir a
marcha, mudar o curso e tomar uma rota mais para o sul, porque alguns icebergs
haviam sido localizados. Mas ele ignorou todos os seis avisos, porque se
considerava e aquele navio era insubmersível... Então, todos sabemos o
que aconteceu. O navio bateu naquele bloco de gelo submerso e afundou rápida e
desastrosamente...”
Depois desta
explanação, ele se curvava olhando diretamente nos olhos de seu paciente e
perguntava: “Quantas vezes o senhor foi avisado a respeito de seu coração? E
quando vai tomar os avisos seriamente para mudar o curso?”.
Esta
ilustração exemplifica bem a realidade em grande parte dos processos deletérios
que trazem ruína sobre nossa vida. Quando as pessoas podem fazer pequenos
ajustes e não o fazem, geralmente pagam um alto preço. Este é o efeito
Titanic. A mudança de curso pode evitar o desastre e ajudá-las a aproveitar
melhor a viagem, mas insistem em continuar no mortal trajeto.
Isto se
aplica em muitas áreas de nossa vida:
Muitas vezes
nosso casamento dá sinais de desgaste, a luz amarela começa a piscar, mas ainda
assim ignoramos por completo todas as advertências. Continuamos no insano
ritmo, seguindo a mesma rota de autodestruição, sem perceber que se nos
esforçarmos um pouco e mudarmos a rota, poderemos evitar um grande desastre.
Isto
acontece na forma como tratamos nossa saúde. Precisamos aprender a interpretar
sinais de cansaço e stress físico, antes que os fusíveis se queimem. Podemos
enfrentar os mesmos dilemas no estilo de vida que levamos, na forma como
administramos nosso tempo, recursos, talentos e amizades.
O mesmo se
dá na educação de filhos. Eventualmente nossos filhos apresentam quadros
confusos, e percebemos que algo não vai bem, mas não nos esforçamos para
entender o seu grito de alerta, que se torna visível no afastamento, na
depressão ou na agressividade. Nestas horas precisamos rever a dinâmica de
nossa vida, num esforço de reconstruir nossa casa.
Nossa
espiritualidade também precisa ser repensada. Num afã de conquistar e de obter
resultados nos esquecemos de Deus e da fé, e nos tornamos pessoas indiferentes
quanto à nossa alma. Sinais de alertas eventualmente são dados, mas continuamos
como o capitão do navio, ignorando todos os avisos dados, e nos fundamentando
numa auto-segurança que ao final, nos lançará no fundo do abismo.
Autor: Samuel Vieira
Pastor na Igreja presbiteriana de Anápolis desde 2003.
http://www.ipbanapolis.org.br/site/?pg=mensagem&id=589

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