terça-feira, 13 de junho de 2017

Afinal, o Que é Orar?


Orar a Deus deveria ser uma coisa simples. Todavia, poucos assuntos precisam de mais esclarecimentos do que a oração. Há muitos conceitos errados sobre a oração por causa do misticismo e da superstição que acometem o ser humano (não somente os brasileiros), por falta de mais conhecimento bíblico sobre o assunto e por causa de ideias equivocadas que as pessoas têm sobre Deus. Seguem alguns pontos sobre oração que penso que são fundamentais e também relevantes para nós hoje. Estou pressupondo o básico: quem vai orar acredita que Deus existe e que Ele recompensa os que o buscam (Hb 11.1-2 e 6).


1 – Orar é basicamente apresentar a Deus, mediante Jesus Cristo e com a ajuda do Espírito Santo, nossos desejos, necessidades, confissão de pecados, intercessões, agradecimentos. A razão é que somente o Deus Triúno conhece nossos corações, é capaz de atender os pedidos e o único que pode perdoar pecados. Portanto, não há qualquer fundamento bíblico para dirigirmos nossas orações a quaisquer criaturas, vivas ou mortas, mas somente ao Deus Triúno (2 Sm 22:32; 1Rs 8:39; Is 42:8; Sl 65:1-4;145:16,19; Mq 7:18-20; Mt 4:10; Lc 4:8; Jo 14:1; At 1:24; Rm 8:26-27; Jo 14:14 e dezenas de outros textos que falam de nos dirigirmos a Deus).


2 – O Novo Testamento nos ensina que devemos orar a Deus em nome de Jesus Cristo. A razão é que o pecado nos afastou de Deus e não podemos nos aproximar dele por nossos próprios méritos. Jesus Cristo é o único, na terra e no céu, que foi constituído pelo próprio Deus como mediador entre ele e os homens. Não há qualquer base bíblica para se chegar a Deus em oração pela mediação de qualquer outro nome. A Bíblia nos ensina que “não há outro nome dado aos homens” (At 4:12) e que “há somente um mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo” (1Tim 2:5). (Ver ainda Jo 14:6; Ef 3:12; Cl 3:17;Hb 7:25-27;13:15).


3 – Orar em nome de Jesus é nos achegarmos a Deus confiados nos méritos de Jesus Cristo e no perdão de pecados que ele nos conseguiu por meio de sua morte na cruz. É pedir a Deus com base nos merecimentos de Cristo e não nos nossos. É renunciar a toda justiça própria e chegarmos esvaziados de nós mesmos diante de Deus, nada tendo para oferecer em nosso favor a não ser a obra daquele que morreu e ressuscitou por nós. Onde não houver esta disposição e atitude, invocar o nome de Jesus é vão. O nome de Jesus não é um talismã ou uma palavra mágica, ou a senha para desbloquear as bênçãos de Deus. Não funciona nos lábios daqueles que ainda confiam em si mesmos e na sua própria justiça, ainda que repitam este Nome dezenas de vezes em oração (Mt 6:7-8; 7:21; Lc 6:46-49; Jo 14:13,14; At 19:13-16; 1Jo 5:13-15; Hb 4:14-16).


4 – Embora possamos pedir a Deus qualquer coisa que desejarmos, todavia, só deveríamos orar por aquelas que trazem a maior glória de Deus, que promovem o crescimento do Reino de Deus neste mundo e que são para nosso bem, sustento, proteção, alegria, bem como de nosso próximo. Foi isto que Jesus nos ensinou a pedir na oração do “Pai Nosso” (Mt 6:9-13), além de outras coisas afins (Lc 9:11-13). Assim, é tentar a Deus orarmos por coisas ilícitas e pedir coisas que Ele declara, na Bíblia, serem contra a sua vontade (Tg 4:1-3; Mt 20:20-28).


5 – Em nossas orações, deveríamos nos lembrar de orar por outras pessoas. A Bíblia nos ensina a pedir a Deus pelos irmãos em Cristo, pela Igreja de Cristo em todo o mundo, pelos governantes, por nossos familiares e pessoas de todas as classes, inclusive pelos nossos inimigos. Todavia, não há qualquer base bíblica para orarmos pelos que já morreram ou oferecer petições em favor dos mortos (Gn 32:11; 2Sm 7:29; Sl 28:9; Mt 5:44; Jo 17:9 e 20; Ef 6:18; 1Tm 2:1-2; 2Ts 1:11; 3:1; Cl 4:3).


6 – Deus nos encoraja a trazer diante dele as nossas petições. Todavia, ainda que a eficácia de nossas orações dependa exclusivamente dos méritos de Cristo, Deus nos ensina em sua Palavra que há determinadas atitudes nos que oram que fazem com que ele não atenda estas orações, como brigas entre irmãos, mundanismo e egoísmo, tratar mal a esposa, pecados ocultos, incredulidade e dúvidas, falta de perdão a quem nos ofende, hipocrisia, vãs repetições, entre outras coisas (Mt 5:23-24; Tg 4:1-3; 1Pe 3:7; Sl 66:18; Pv 28:13; Is 59:1-2; Tg 1:6-7; Mt 6:14-15; Mt 6:5; Mt 6:7-8). Por outro lado, se nossas orações são respondidas, isto não se deve à nossa santidade, mas à graça de Deus mediante Jesus Cristo, que nos habilita a viver de forma agradável a ele (1Jo 3:21-22), e ao fato de que as orações, por esta mesma graça, foram feitas de acordo com a vontade de Deus (1Jo 5:14).


7 – Deus requer fé da parte dos que oram (Hb 3:12; 11:6; Jer 29:12-14; Tg 1:5-8; 5:15). Esta fé é uma simples confiança de que Deus existe, que ele nos aceitou plenamente em Cristo e que é poderoso para nos dar aquilo que pedimos, ou então, nos dar muito mais do que imaginamos (Hb 4:14-16). Orar com fé é trazer diante de Deus nossas necessidades e descansar nele, confiantes que ele responderá de acordo com o que for melhor para nós (1Jo 5:14-15). Orar com fé não significa determinar a Deus que cumpra nossos pedidos, ou decretar, como se a oração tivesse um poder próprio, que estes pedidos aconteçam. Orações não geram realidades espirituais e nem engravidam a história. É Deus quem ouve as orações e é Ele quem decide se vai respondê-las ou não, e isto de acordo com sua vontade e propósito de sempre nos fazer bem.


Se houvesse mais oração verdadeira a Deus por parte dos que professam conhecê-lo mediante Jesus Cristo, quem sabe veríamos aquele avivamento e reforma espirituais que tanto desejamos para nossa pátria?
“Se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e me buscar, e se converter dos seus maus caminhos, então, eu ouvirei dos céus, perdoarei os seus pecados e sararei a sua terra” (2Cron 7:14).


Autor: Dr. Augustus Nicodemus Lopes é pastor da Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia, vice-presidente do Supremo Concílio da Igreja Presbiteriana do Brasil e presidente da Junta de Educação Teológica da IPB.


Fonte: http://tempora-mores.blogspot.com.br

Espinho É Bom e Faz Crescer

“E, para que não me ensoberbecesse com a grandeza das revelações, foi-me posto um espinho na carne, mensageiro de Satanás, para me esbofetear, a fim de que não me exalte. Por causa disto, três vezes pedi ao Senhor que o afastasse de mim. Então, ele me disse: a minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo. Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo. Porque, quando sou fraco, então, é que sou forte” (2Co 12.7-10).
Às vezes, Deus diz “não”. Isso não significa que ele é mau ou que é um Deus caprichoso que age de acordo com as variações do seu humor. Antes, significa que ele sabe o que é, de fato, bom para a nossa vida e conhece perfeitamente, muito mais do que nós mesmos, quais são as coisas de que realmente precisamos. Por isso, quando Deus diz “não” como resposta às nossas orações, é nosso dever agradecer e até nos alegrarmos, sabendo que isso também é expressão da graça e do cuidado daquele que nos ama com força infinita, daquele que se dispôs a dar o seu próprio Filho por nós.
Paulo aprendeu isso às duras penas. Sendo apóstolo, ele recebeu revelações grandiosas de Deus. Sendo homem, ele correu o risco de se ensoberbecer por causa dessas mesmas revelações. E esse era um perigo real! Note bem: se vemos pessoas agindo com soberba por causa de revelações falsas e tolas que elas próprias inventam, imagine quão orgulhoso poderia se sentir alguém ao receber revelações magníficas e verdadeiras, vindas do próprio Deus! Pois bem... Esse era o caso de Paulo. Por isso, Deus lhe deu uma vacina contra a soberba. E não foi vacina do tipo gotinhas na boca. Foi uma vacina do tipo agulha doída. Deus lhe pôs um espinho na carne!
Não sabemos o que era esse espinho. Tem gente que acha que era um problema nos olhos. Teve um pregador que me disse que era uma mulher de quem Paulo havia se divorciado e que não saía do pé dele (acho que nesse caso não seria um espinho, mas sim o espinheiro completo). Porém, comentaristas mais atentos à realidade de Paulo e ao contexto histórico e textual de 2Coríntios suspeitam que o espinho na carne fosse um homem (talvez uma figura influente dentro da igreja de Corinto) que se opunha ao seu ministério, perturbando sua vida, desrespeitando-o, caluniando-o, estimulando a perseguição contra ele, desencorajando a igreja a ajudá-lo em suas necessidades e deixando-o muito abatido. Isso explicaria por que, no v.10, Paulo associa o espinho na carne a injúrias, necessidades, perseguições e angústias. Eu prefiro essa interpretação do famoso “espinho na carne”, mas sei que não dá pra afirmar isso com certeza absoluta.
Seja como for, o fato é que o pobre apóstolo pediu três vezes a Deus que o livrasse e a resposta foi um sonoro e definitivo “não”. Deus sabia o que era bom para Paulo e queria que ele continuasse a ser esbofeteado por aquele “mensageiro de Satanás” que, em última análise, foi posto por Deus, visando a manter Paulo humilde.
E não somente isso. De acordo com o texto, ao cravar aquele espinho na carne do seu servo, Deus não quis apenas protegê-lo da soberba, mas também ensiná-lo. O espinho não tinha um propósito meramente preventivo, mas também didático. Deus é médico, mas também é professor. O espinho doloroso, além de proteger Paulo do vírus do orgulho, serviria ainda para ensinar ao apóstolo uma lição importante sobre a graça: ela é suficiente para o crente, de maneira que ele não precisa de mais nada.
Assim, entre o livramento e a graça, o cristão precisa mais da segunda. E pra completar o quadro, contrariando o que pensamos, o texto ensina que a graça se revela com mais força quando o livramento NÃO vem. Eis aí uma razão específica por que muitas vezes Deus diz “não”. Ele não nos livra, conforme pedimos, a fim de mostrar a suficiência e o poder da graça, conforme precisamos. Por isso, muitas vezes sofremos injúrias, necessidades, perseguições e angústias sem que Deus nos livre de nada disso. Ele tem algo maior e melhor para nós do que o livramento. E quem aprende isso fica mais forte. Tanto isso é verdade que Paulo disse: “Quando sou fraco (por causa de todas as dores e pesares), então é que sou forte (porque o poder gracioso de Deus me sustenta de forma suficiente)”.
Todos temos de aprender essa preciosa lição. Por isso, recorde-se das súplicas que você fez e que Deus não atendeu. Depois diga a ele: “Obrigado, Senhor, pelo seu ‘não’, pois, por meio dessa resposta, o Senhor me protege das minhas más inclinações e me ensina a depender da sua graça que é suficiente e que se mostra ainda mais poderosa quando estou fraco, jogado no pó”. Você pode fazer essa oração? Trata-se da oração do homem fraco que também é forte. É a oração de quem descobriu a força da graça quando estava caído, sem vigor nenhum, na lama das penúrias. É a oração do crente que aprendeu a ver a vida e seus revezes de uma nova perspectiva — uma perspectiva em que o sofrimento não aparece somente como um espinho que incomoda e machuca, mas também como um remédio que protege, fortalece e faz crescer.
Autor: Marcos Granconato - é pastor titular da Igreja Batista Redenção desde 1997. É formado em Teologia pelo Seminário Bíblico Palavra da Vida (Atibaia, SP) e é mestre em Teologia Histórica pelo Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper (São Paulo, SP)

Fonte: http://igrejaredencao.org.br

A importância dos detalhes

Um jovem casal entrou num restaurante fast food e pediu uma refeição para casa. Pagaram a comida, lhes entregaram a embalagem contendo o que haviam pedido e saíram do restaurante. Quando eles saíram o gerente percebeu que a equipe havia cometido um grave erro. Em vez de entregar a embalagem contendo seu jantar, entregaram uma na qual haviam colocado todo dinheiro arrecadado naquele dia.

Desesperados correram atrás, mas o casal já havia saído no carro e desaparecido. Logo depois, para surpresa do gerente o casal retornou dizendo que abriu a embalagem e encontrou o dinheiro dentro e veio devolver. Agradecido o gerente ofereceu-lhes uma recompensa, mas o casal não aceitou dizendo apenas que lhes entregassem o pedido do jantar que haviam feito.

O gerente então teve uma feliz ideia. “que tal se vocês ficassem aqui um minutinho a mais para que chamemos o jornal da cidade para uma fotografia e um artigo, afinal, não é fácil encontrar pessoas assim tão honestas em nossos dias?”...

O casal ao ouvir a sugestão, se virou para sair, e o gerente insistiu querendo saber a razão. O homem respondeu: “Não creio que seja uma boa ideia. Não gostaria que minha mulher me visse com outra”.

Isto mostra quanto as melhores pessoas podem cometer os piores erros. Os havaianos afirmam que “cheiro ruim pode ser encontrado até nos lugares mais doces”. São os detalhes que nos revelam, afinal, quanto menor o espinho do peixe, mais perigoso ele se torna.

Por isto precisamos aprender a nos conhecer, a descobrir os lados patológicos da alma, as fraquezas de caráter e as tendências que podem nos destruir. Geralmente as pessoas fracassam não porque são “muito ruins”, mas porque determinadas sombras são tão agressivas que os aspectos saudáveis são obscurecidos pelas manchas. Somos íntegros nas finanças, mas falhos quanto à sexualidade; somos honestos nos negócios, mas falamos sem avaliar as fontes das informações que transmitimos e a necessidade de falar sobre aquele assunto. Podemos ficar cegos perante nossas falhas e fraquezas. Veja como isto é claro neste antigo texto bíblico que nos fala de um único defeito de um homem que pode lhe ser fatal.

Todos nós cometemos erros. Se alguém pode dominar a sua língua, isso prova que ele tem perfeito domínio sobre si em tudo o mais. Podemos fazer com que um cavalo grande se volte, e vá para onde quisermos por meio de freios em sua boca. E um leme minúsculo faz com que um navio enorme se volte para qualquer lado que o piloto queira que ele vá, mesmo que os ventos sejam fortes” (carta de Tiago 3.2-4).

A verdade é que a língua, um pequeno órgão, pode causar grandes tragédias, assim como uma pequena fagulha pode incendiar uma floresta. Veja como isto é verdade em muitos personagens bíblicos: Sansão era um forte guerreiro, mas se deixou dominar por uma paixão; Davi era um respeitado rei, mas se tornou ímpio por causa da mulher de seu vizinho; Salomão era um sábio homem, mas a vaidade o transformou num homem ridículo; Judas teve o grande privilégio de andar ao lado de Jesus por três anos, mas por sua ambição traiu o amigo por trinta moedas de prata; Geazi, por seu desejo de fama, vendeu a fidelidade a Deus e negociou sua consciência.
Não são os grandes defeitos que geralmente destroem o homem... são os perniciosos detalhes.

Autor: Samuel Vieira – pastor da Primeira Igreja Presbiteriana de Anápolis

Fonte: http://revsamuca.blogspot.com.br/

segunda-feira, 29 de maio de 2017

A Arte de Ler e Interpretar as Escrituras

Introdução
O objetivo deste artigo é proporcionar três ferramentas para que um leitor leigo consiga realizar o desafio lançado por Deus de observar as Escrituras. As ferramentas são: leitura, interpretação e aplicação. A tarefa de leitura do texto bíblico, por mais incrível que pareça, tem sido cada vez deixada de lado em muitos projetos de interpretação.
Fala-se muito ou lê-se muito acerca do texto sagrado, mas dificilmente encontramos projetos que efetivamente incentivam e auxiliam na leitura do texto bíblico. Falando de interpretação, não seria um exagero dizer que tudo o que a mente humana lê ou vê é submetido a algum tipo de interpretação. Ela as vezes são conscientes e inconscientes, como na leitura de um aviso indicado “desembarque” no aeroporto; em outros casos específicos, como na leitura de um texto bíblico, a tarefa de ler e interpretar requer disciplina e estratégias que não acontecem inconscientemente, mas são habilidades que precisam ser desenvolvidas. Diante destes fatos, iremos ajudá-lo com ferramentas interpretativas para um melhor aproveitamento na leitura e estudo bíblico.

A Importância de Ler antes de Interpretar
Estudar a Bíblia nunca foi uma tarefa fácil. Enganam-se os que pensam que os cristãos do AT e NT liam os textos bíblicos e entendiam perfeitamente o seu sentido, aplicação e relevância para o seu contexto. Há vários exemplos que poderiam ser apresentados para defender esta posição, mas apenas um será suficiente, o caso do profeta Daniel.
Deus se revela aos seus profetas por meio de visões e sonhos. Mais especificamente, os profetas podiam ter inúmeras visões em um único sonho, conforme lemos em Daniel 7.1: “… Daniel teve um sonho e visões enquanto estava deitado em sua cama…”. Mesmo sendo um profeta, Daniel não entendeu exatamente o sentido daquelas visões que ele estava recebendo.
Porém, isso não significa que a linguagem utilizada por Deus era cheia de problemáticas, enigmas e mistérios que somente uma pessoa altamente qualificada poderia entender. Sabe por que? Porque Daniel era essa pessoa, alguém com sabedoria acima da média dos seus contemporâneos.
Mesmo assim, a Palavra de Deus dirigida a ele por meio dos sonhos e visões não eram perfeita ou imediatamente compreensíveis. Se isso aconteceu com o profeta Daniel, por que não seria para nós leitores contemporâneos da Bíblia?
A finalidade deste estudo visa alcançar essa compreensão que não acontece automática e de modo fácil, mas requer um esforço e estratégias que auxiliem nessa direção. Uma das expectativas com respeito a este estudo é que ao estudar a Bíblia de modo indutivo possa despertar o interesse nos leitores da Bíblia por um significado mais relevante para suas vidas.

Cinco Perguntas Interpretativas
O primeiro passo no início de uma interpretação bíblica é identificar a presença de detalhes importantes no texto por meio das chamadas perguntas interpretativas (perguntas chaves). Nem todos estudantes da Bíblia concordam com o uso de perguntas para induzir o leitor a observar somente alguns aspectos no texto, mas a prática tem mostrado que as inúmeras perguntas, dúvidas, interesses e curiosidades trazidos pelo leitor acabam pulverizando a mensagem central do texto, tornando-a em alguns casos quase imperceptível.
Estas ferramentas nos ajudarão na visão panorâmica do texto que é, de certa forma, o “cardápio” de todas as possibilidades e peculiaridades do texto. Antes de iniciar uma interpretação é sempre bom saber quais são as principais questões tratadas no contexto mais amplo para que, em seguida, seja possível identificar os detalhes das partes menores. Isto impede que tenhamos um interesse desproporcional em apenas um aspecto da narrativa em questão.

QUEM? Identificando os Personagens

– Narrador:
  1. Apresenta a História;
  2. Tem a última palavra;
  3. Está fora da cena.
– Personagem:
  1. Encena a história;
  2. Opinião provisória;
  3. Está dentro da cena.
– Assunto:
  1. Não deve ser tratado nesta categoria, mas sim como “o quê”.

A primeira tarefa no trabalho de leitura e interpretação de um texto bíblico é descobrir a identidade e tipo de pessoas falando no texto. Há pelo menos dois tipos de pessoas que nos interessam inicialmente. Primeiramente, temos aquele que narra os acontecimentos (o narrador), e o segundo, o que participa da narrativa como um agente que está praticando, praticou ou praticará uma ação (o personagem).
narrador apresenta os personagens sempre na terceira pessoa do singular além de emitir opiniões conclusivas sobre o que está ocorrendo na cena. O narrador na maioria das narrativas bíblicas parece ser onisciente, pois é capaz de ver ações que foram realizadas em segredo, de ouvir conversas que aconteceram a portas fechadas, parece estar bem familiarizado com as cogitações mais íntimas do personagem, sendo capaz de descrevê-las a nós. No caso dos textos bíblicos, esta onisciência do narrador se deve ao fato de ele ser inspirado. Logo, o narrador sempre terá a palavra final acerca dos eventos e dificuldades apresentados na narrativa.
O segundo tipo, os personagens, são aqueles que encenam a história participando efetivamente da cena em questão. Quando um personagem é apenas mencionado pelo narrador, não permitindo que ele ou ela participem nos diálogos, estamos diante do terceiro tipo de pessoa: o personagem assunto. A identificação do personagem não é apenas dar nomes às pessoas que aparecem e atuam na narrativa, mas descobrir o nível de interferência que eles têm no desenvolvimento da história.
A resposta dessa primeira pergunta interpretativa será, em grande parte, um substantivo comum ou próprio. O personagem é geralmente uma pessoa e raramente um objeto ou um local. Uma regra geral: sempre que o pronome pessoal aparece, é indispensável que a interpretação identifique quem é o personagem em questão. Se em algum momento, ocorre palavras do discurso de alguém sem a sua identificação inicial, o contexto imediato anterior ou posterior, o contexto todo, irá nos informar que é o personagem e o responsável pelas palavras ditas no trecho lido.
Em alguns casos o personagem é o narrador, que apresenta o discurso de algum personagem, por exemplo: “Tendo o Senhor falado…” ou “O Senhor disse…”. Outro caso seria do narrador o responsável pelo discurso, mencionando algumas pessoas, elas são consideradas apenas como o assunto e não como personagem.
Já o pronome pessoal na primeira pessoa do plural – NÓS, gera um desafio maior ao leitor, pois levanta perguntas como: quantas e quais são as pessoas apontadas pelo pronome pessoal no plural? A resposta está em ler o contexto anterior e posterior para descobrir as personagens do texto.
Concluímos que a identificação do “QUEM” é um passo inicial e fundamental para a tarefa de interpretação. Resolver o “QUEM” está falando é o primeiro passo para uma boa leitura interpretativa, pois evita de atribuirmos expectativas alheias ao personagem em questão.

O QUÊ? Identificando o Assunto
A segunda tarefa no trabalho de leitura interpretativa das Escrituras visa a identificar o assunto, isto é, o que está acontecendo, aconteceu ou acontecerá na narrativa. A identificação do assunto estará relacionada a um verbo ou uma ação verbal: alguém realizou alguma coisa ou sofreu a ação de algo que foi feito.
O que realmente está acontecendo nesta cena?
– Passo 1: Alguma coisa foi feita, dita ou pensada por alguém ou para alguém
– Passo 2: Quem? Personagens presentes na cena
– Passo 3: O quê? Personagens + Elementos do cenário
– Possibilidades: Imagina a figura de uma mãe com o seu filho e ao lado uma árvore. As possibilidades de uma figura como essa comunicar são inúmeras, mas vamos nos deter em apenas três: (a) Uma mãe está passeando com o filho no parque; (b) Um policial encontrou uma criança perdida no parque; (c) Disse a mãe: “Filho, esta árvore foi plantada no dia em que eu nasci”.
Inicialmente, é sempre bom identificar os verbos nas orações principais, pois eles nos dão uma ótima indicação do que o texto está tratando. Mas, nos textos poéticos é comum o leitor perder de vista o assunto que está sendo dito por conta do inúmeras figuras e paralelismos utilizados. Uma boa dica para descobrir o assunto é iniciar o trabalho redigindo um paralelismo entre os verbos utilizados naquele trecho e os personagens.
Uma regra de ouro para a leitura e a interpretação de um texto é a identificação de verbos no imperativo ou verbos que constroem uma pergunta. O verbo no imperativo indica que uma ordem foi dada (ou um desejo foi expresso) e o valor e urgência desta ordem serão determinados pelo “quem” respondeu por ela. Algumas atitudes que podem surgir diante da ordem: (a) ignorar; (b) demorar para responder; (c) responder imediatamente; (d) questionar a autoridade daquele que deu a ordem.
No caso dos verbos que estão ligados a perguntas, a atenção é a mesma, ou seja, o “quem” relacionado com as perguntas é fundamental para indicar quais perguntas merecem nossa atenção. As perguntas são conectores valiosos que nos sinalizam a relação entre as partes de uma narrativa.

POR QUÊ? Identificando o Motivo
A terceira tarefa no trabalho de leitura interpretativa das Escrituras visa a identificar o motivo por que os personagens disseram ou fizeram alguma coisa. Esta é a tarefa mais árdua de toda a interpretação. Isso se dá pelo fato de ser o conjunto das duas primeiras perguntas, e a dificuldade de identificar as primeiras perguntas comprometerão a identificação desta terceira pergunta interpretativa.
Para aumentar o nível de dificuldade, nem todos os textos estão interessados em justificar o motivo por detrás das ações realizadas, e quando existe esta possibilidade de verificar os motivos, precisamos respeitar a intenção original do autor e não investir tempo tentando encontrar outras razões.
A identificação desta terceira tarefa interpretativa deve ser orientada pela ação principal realizada pelo personagem e não por ações secundárias. Assim, investigar o motivo das ações é sempre uma tarefa complexa; ele envolve boa percepção dos fatos e o modo como eles são apresentados.
Há um risco a que precisamos estar atentos, o de usar uma explicação oferecida pelo texto (porquepoisjá que, etc) para justificar mais do que o autor planejou explicar, ou seja, cada uma destas partículas explicativas possui uma abrangência limitada e definida, que iremos classificar como micro ou macro.
Porque MACRO – Abrangência ilimitada dentro do livro, nível conclusivo definitivo e superior a porque MICRO.
Pois MICRO – Abrangência limitada, nível conclusivo inferior ao por que MACRO.
Mas como saber se realmente o texto não está interessado em oferecer os motivos? Algumas dicas importantes:
(1). A ausência de partículas porquepoispor isso, etc., não é uma conclusão para afirmar que o texto não busca explicar os motivos. Há casos quando o autor não usa estas partículas, mas apresenta a razão ou razões para o que foi dito ou feito.
(2). O motivo MACRO sempre ocorre numa frequência bem menor e é mais comum aparecer no início ou final de um livro.
(3). O motivo MACRO geralmente é dito pelo narrado.
(4). O motivo MICRO é geralmente dito por um dos personagens na narrativa e sua abrangência limita-se em um parágrafo.
(5). Quando o autor utiliza o PORQUE, o motivo sempre vem depois; quando ele utiliza POR ISSO, o motivo geralmente aparece antes.
(6) O que determina a razão apresentada em um texto se foi satisfatória ou não, não está na expectativa criada pelo leitor e sim na intenção original do autor do texto. Nossa grande dificuldade está em identificar se o MOTIVO tem a ver com o leitor e não com o texto, pois muitas vezes criamos expectativas que vão além daquilo que o texto foi originalmente escrito para responder.

QUANDO? Identificando o Tempo ou Época
A quarta tarefa no trabalho de leitura interpretativa das Escrituras visa a identificar o tempo ou época com o qual o texto que queremos ler está relacionado. Esta identificação do tempo nem sempre está relacionado com uma data específica de um evento, mas pode ser também um período quando aquela ação ou várias ações foram realizadas (por exemplo: o período do exílio da Babilônia). Alguns casos, a data do evento é muito importante para a interpretação do texto.
Há inúmeras maneiras criativas de situar os eventos nas Escrituras de modo a produzir um impacto maior na leitura e interpretação das Escrituras. A informação do tempo nem sempre está presente na narrativa lida, mas por meio de outros textos do cânon ou até mesmo por meio de literatura extra bíblica.
Na identificação do tempo é sempre recomendável manter uma diferença fundamental em mente: a data do evento não é a mesma data do texto. Porém, em alguns casos, a data do evento parece estar próxima a data do texto.

  1. Data do Evento – Período, época ou data específica quando os personagens descritos na narrativa viveram
  2. Data do Texto – Período, época ou data específica quando o autor e os primeiros leitores viveram e o texto relatando o evento foi redigido.
Como medir a Distância entre A-B?
Nomes pessoais, referências geográficas, nomes de cidades ou povos, referência a algum evento da história da redenção, uso de expressões “naqueles dias”, “até o dia de hoje”.

ONDE? Identificando o Local
A quinta tarefa no trabalho de leitura interpretativa das Escrituras visa a identificar o local dos eventos bem como o local onde o texto foi escrito. A identificação do local também requer uma diferenciação entre o local do evento e o local onde o texto, descrevendo o evento, foi escrito. Ainda que a identificação do local seja pouco descrito que as outras perguntas interpretativas, algumas vezes ela se torna crucial.
Da mesma forma que a identificação do tempo nem sempre está ligado a uma data específica, a identificação do local também não precisa ser uma referência a cidade ou região. \

Conclusão
As perguntas interpretativas (perguntas chaves) nos auxiliam a focar naquilo que é central para a mensagem original, antes de iniciarmos nossas investigações pessoais no texto. Mais do que isso, elas podem até prestar um grande auxílio em nosso interesse, pessoal no texto, já que elas organizam as ideias dentro de uma lógica que permite muitas aplicações.

Sou o Thiago Convento, casado com a Ellen. Tenho 36 anos e sou pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil. Gosto de ler e assistir Séries. Não tenho comida favorita, mas tenho as desfavoritas: Berinjela e Jiló,

fonte: http://tsbr.org.br/blog/a-arte-de-ler-e-interpretar-as-escrituras/


quinta-feira, 25 de maio de 2017

MINHA MÃE MERECE O MELHOR

            
Qual a sua resposta para esta pergunta: Qual o melhor presente você gostaria de dar para sua mãe? Certamente você vai pensar em uma viagem, uma jóia, uma vestido especial, um perfume muito caro ou até mesmo uma casa nova! Mas se você perguntasse a ela o que ela te diria? Certamente muitas dessas mães nem pensariam nessas coisas...
            Vivemos em uma sociedade que tem sido ensinada a ser extremamente egoísta. Existe uma palavra africana chamada de Ubuntu que basicamente significa: “sou quem sou porque somos todos nós”. Essa palavra nos ensina que só somos realmente felizes quando nossos semelhantes também são felizes. Ou seja, não adianta eu ter tudo que me traz conforto quando meu semelhante não possui o básico para o seu sustento! E o que isso tem a ver com um presente pra mãe? Obviamente tudo! Se não formos capazes de dar a nossas mães o que elas mais precisam então significa que estamos falidos enquanto sociedade. E o que nossas mães mais necessitam?
            Para responder a essa pergunta vamos nos valer da declaração de Jesus  registrado em Mateus 15.4 ecoando as palavras de Deuteronômio:  Porque Deus ordenou:  Honra a teu pai e a tua mãe; e: Quem amaldiçoar a seu pai ou a sua mãe seja punido de morte.” A atitude de honrar só é plenamente possível quando verdadeiramente se ama a pessoa. Encher uma mãe de presentes pode parecer uma atitude muito nobre de honra, porém pode esconder um filho distante e apático para com sua mãe. E não poucas são as vezes em que ouvimos tantas histórias de filhos que maltratam suas mães.  Deus abomina isso de tal modo que disse que tal filho fosse punido de morte! Não temos o poder de tirar a vida de ninguém, porém Deus tem, então todas as vezes que um filho amaldiçoa seus pais é como se ele estivesse pedindo a Deus que o matasse. Graças a Deus que ele é muito misericordioso!
Nossas mães necessitam de amor incondicional. É isso. O que elas mais querem e almejam em seus filhos. Mas como disse anteriormente, infelizmente vivemos em uma sociedade egoísta e esse egoísmo tem penetrado os lares e feito muitos estragos nos corações de nossas mães. Filhos há que não mais honram seus pais com aquilo que mais nobre os filhos podem dar: amor e obediência. Quem ama, obedece! Jesus deixou isso claro em João 14 verso 15. É por isso que o apelo do escritor de provérbios é enfático: “Meu filho, obedeça aos mandamentos de seu pai e não abandone o ensino de sua mãe”. Não podemos virar as costas ao ensino de nossos pais. Precisamos honra-los e ama-los verdadeiramente.
E então, qual o melhor presente você gostaria de dar para sua mãe?
Agora você entendeu que o que ela mais precisa é do teu amor verdadeiro e  incondicional? É claro que você pode dar um presente físico para sua mãe, porém  qualquer coisa que você possa dar só é realmente valioso se for fruto de uma coração que ama incondicionalmente! Expresse seus sentimentos enquanto você está junto dela. Dias virão em que você não poderá mais fazer isso!


Autor: Herbert Pereira de Oliveira, pastor da Igreja Presbiteriana de Vila Operária e editor da Revista Primícias. Mestrando em Aconselhamento pelo Centro de Pós-Graduação Andrew Jumper em São Paulo.

SOBRE A BALEIA AZUL

Tenho acompanhado o grande estardalhaço que o tal do jogo: “I am Whale” – ou “Desafio da Baleia Azul” (como ficou conhecido no Brasil) – tem causado na mídia nacional. Jovens e mais jovens entrando num desafio bizarro de automutilação, aprisionamento mental e espiritual e, por fim, o suicídio.

Você já se perguntou o porquê de um número tão grande de jovens estarem vulneráveis a uma proposta tão absurda como a desse jogo? Já se perguntou como esses jovens conseguem passar por, pelo menos 49 desafios que envolvem, tatuarem-se com lâminas, cortarem os lábios, mãos e braços, saírem pelas madrugadas para lugares perigosos, acessarem substâncias tóxicas, ficarem dias trancados em seus quartos sem conversar com ninguém, e ainda assim seus pais não perceberem que havia alguma coisa errada com eles, ao ponto de, no quinquagésimo desafio, eles atentarem contra a própria vida e, só assim, chamarem a atenção de seus pais, família e amigos?

É bastante preocupante, não o jogo da baleia azul em si, mas o distanciamento entre essa juventude e seus pais. Muitos desses jovens têm acesso rápido e fácil ao Facebook, Snapchat, Twitter, Whatsapp, Instagram, Skype, Youtube, Google+, Wechat e outras mídias sociais, mas não têm acesso direto aos pais. A eles é franqueado o acesso a smartphones modernos, tablets e notebooks de última geração, mas não o ombro amigo, o ouvido preocupado e disponível; eles não têm acesso fácil a um colo, um olho no olho, um lanche na esquina, um passeio no parque, uma Escola Bíblica e um Culto a Deus com a Família. Lhes abrem as janelas para o mundo ao mesmo tempo que lhes fecha a porta dos relacionamentos familiares diretos. Não há jogo que consiga ser mais prejudicial que isso. Nesse caso, o suicídio não é uma causa em si, mas um sintoma de uma vida vazia de sentido, de afeto, e, até mesmo de disciplina, pois, como diz a Bíblia, pais que amam, disciplinam seus filhos (Hb.12:5-13).

Outra informação aterradora é que o tal do jogo da baleia é fictício! Uma notícia falsa, um sensacionalismo cibernético. O que torna a situação ainda pior, pois mostra que esses jovens têm morrido, literalmente por nada. Essa baleia nada no mar da solidão, desilusão, da falta de bons modelos. Mares silenciosos e profundos, cheios de um gélido nada existencial. Águas de ninguém.

E qual a solução para isso? Não vejo outra que não seja uma volta aos valores familiares que, outrora eram fundamentais e basilares, mas que, hoje, têm sido desintegrados por uma sociedade centrada em indivíduos, como se o mundo fosse composto por um monte de indivíduos desligados um do outro, sem história, sem relacionamentos, como um monte de folhas soltas ao vento.

É preciso que esvaziemos os tanques onde essa baleia possa nadar. Um tanque de relacionamentos líquidos, frívolos, utilitaristas, vampirescos e instáveis.

Precisamos de relacionamentos sólidos, palpáveis, estáveis, fundamentados em princípios básicos estabelecidos por Deus. Precisamos, nós e nossos filhos, nos voltarmos para o Deus Criador, de maneira que estejamos sujeitos completamente à Sua vontade, resistindo às baleias azuis e a todos os outros engodos desse mundo, e eles fugirão de nós (Tg.4:7), pois não encontrarão espaço para nadar em um mar governado por Deus.


Alessandro Capelari – Pastor na Igreja Presbiteriana do Brasil em Maringá PR

Mestrando em Aconselhamento Bíblico pelo Centro de Pós-Graduação Andrew Jumper - SP

segunda-feira, 10 de abril de 2017

JESUS, NOSSA ESPERANÇA

Todas as biografias terminam da mesma maneira. Se for completa, o herói morre, exceto uma: a história de Jesus Cristo. Ele ressuscitou e continua vivo. E uma parte significativa da sua história permanece ainda não contada. A conclusão foi escrita em profecia, mas não ainda na história.

E porque Ele está vivo:
Jesus é a nossa Esperança diante da morte

A Bíblia diz que a morte não é o fim da vida, mas uma porta de entrada terrena para um tipo diferente de vida. É simplesmente a separação entre o invisível e o visível. Nela, o corpo para de funcionar e começa imediatamente deteriorar-se. Enquanto isso, as qualidades interiores invisíveis que definem nossa personalidade – espírito e/ ou alma – continuam a existir. Com a ressurreição, Jesus venceu a morte. (Jo 11.25-16).

Jesus é a nossa Esperança em relação ao nosso destino final

Morte e destino final são duas coisas diferentes. Após a morte, um destino entre dois possíveis espera a pessoa. Os que morrem sem pôr sua confiança em Cristo, não deixarão de existir, mas irão para um lugar literal, eternamente separados de Deus.
A Bíblia diz que é um lugar onde haverá “choro e ranger de dentes”. Assim como o céu é inimaginavelmente bom, o inferno é inacreditavelmente horrível. Não há purgatório. E a escolha de um dos dois destinos deve ser feita antes de passar pela porta da morte.
Cristo morreu pelos nossos pecados e agora oferece outro destino como um presente exponencial. Estar “em Cristo” é confiar que na morte sacrificial Ele pagou o preço dos nossos pecados, é confiar na ressurreição que nos dá vida eterna, é garantia de estar para sempre com o Deus vivo e verdadeiro. (Rm 10.9).

Jesus é a nossa Esperança para a nossa ressurreição futura

Este corpo que ficará velho e doente, não está equipado para durar toda a eternidade. É preciso cuidar da saúde, mas com todo o cuidado, esse corpo se desgasta. Ele precisa ser transformado para que possa durar para sempre.
Quando Jesus voltar para estar com o seu povo, Ele fará uma mudança física radical em nossos corpos. Os que estiverem vivos, num momento indivisível de tempo, receberão instantaneamente um corpo pronto para a eternidade, bem como todos os que foram sepultados e morreram “no Senhor”. Este corpo imortal nunca morrerá. A morte de uma vez por todas será “destruída pela vitória” (1 Co 15.54).

Jesus é a nossa Esperança, por isso ansiamos sua volta

Jesus voltará de maneira física e literal. Ele virá de modo inconfundível. Ressoada a trombeta de Deus pelo arcanjo, os mortos aparecerão e os vivos serão transformados. Ninguém deixará de reconhecer a volta de Jesus. Todos ressuscitados e transformados, seguidores de Jesus, encontrarão com o seu Senhor nos ares. Toda a família de Deus estará reunida, para sempre juntos e nunca mais serão separados.

Enquanto isso não ocorre, continuamos num mundo que funciona de acordo com as regras da queda (Gênesis 3). O mal continua.

A Igreja, enquanto aguarda, tem a responsabilidade e o privilégio de pregar e testemunhar o nome de Jesus entre as nações para que as pessoas creiam nele e o glorifiquem, experimentem sua consolação, alegria, perdão, amor e esperança.

Quando Jesus, nossa Esperança, voltar, no último capítulo da história da terra, até mesmo a criação será transformada. Todo o mal será consumido no fogo da glória de Deus, deixando apenas aquelas coisas “que duram para sempre”.

(Inspirado pelo livro “Jesus – o maior de Todos”, de Charles Swindoll)

Autor: Jeremias Pereira - Pastor Titular da Oitava Igreja Presbiteriana de Belo Horizonte

Fonte: http://www.oitavaigreja.org.br/jesus-nossa-esperanca/


O JUIZ QUE DISPENSA DELAÇÕES

Todos os envolvidos no esquema de corrupção investigado pela operação Lava Jato negaram a participação nos crimes em que são acusados. Eles verbalizam em uníssono a inocência! O acesso à verdade é obtido através de intensas negociações que irão promover algum benefício ao incriminado.
Esta operação traz à tona apenas os retalhos da desordem de um país que chancelou o engano e a trapaça não apenas culturalmente aceitáveis, mas até mesmo elogiáveis. Esta expertise perversa não se restringe aos brasileiros e também não é uma característica restrita aos dias atuais. O engano começou na tentação no Éden e percorreu toda a história humana.
O profeta Jeremias escreve sobre essa inclinação pecaminosa: “O coração é mais enganoso que qualquer outra coisa e sua doença é incurável. Quem é capaz de compreendê-lo?” (Jr 17.9). Deus é capaz! O coração traiçoeiro não escapa aos olhos de Deus. “Eu sou o Senhor que sonda o coração e examina a mente, para recompensar a cada um de acordo com a sua conduta, de acordo com as suas obras” (Jr 17.10).
Deus sonda os corações e não deixa impune o que pratica o mal. Por isso, o profeta Jeremias continua: “O homem que obtém riquezas por meios injustos é como a perdiz que choca os ovos que não pôs. Quando a metade da sua vida tiver passado, elas o abandonarão, e, no final, ele se revelará um tolo.” (Jr 17.11). O profeta Isaías escreve: “Ai dos que chamam ao mal bem e ao bem mal, que fazem das trevas luz e da luz, trevas, do amargo doce e do doce, amargo.”(Is 5.20).
A recente operação policial que visa desmantelar as grandes movimentações de recursos ilícitos do governo acende uma fagulha de esperança na terra das maracutaias. As prisões de empresários e políticos impressionam a todos aqueles que estão acostumados a ver somente os menos favorecidos superlotando as penitenciárias.
No entanto, a mensagem bíblica para os milhares de corruptos que conseguem escapar da débil e precária justiça humana é que Deus não necessita de delações para acessar os crimes que tão habilmente escondem. Ele sonda os corações, esquadrinha os pensamentos e conhece as intenções. Diante do seu tribunal as mazelas são expostas e tratadas com divina justiça.
Este mesmo Deus também oferece perdão ao arrependido, salvação ao que confessar seu filho Jesus Cristo como Senhor e esperança aos encarcerados pelo pecado. Somente Ele é capaz de transformar o coração enganoso em um terreno fértil para a verdade e a justiça.

Autor: Alexandre Rodrigues Sena – Pastor auxiliar da Igreja Presbiteriana da Gávea - RJ

Fonte: http://ipgavea.org/category/pastorais/

Mentalidade de consumo

Esta é a época do consumidor. 
Afinal, o cliente não tem sempre razão?

Certa empresa americana recebeu a reclamação de um cliente dizendo que havia comprado quatro pneus, mas não estava satisfeito, e queria devolvê-los. O vendedor chamou o gerente, que assinou a devolução. Ele foi ao caixa e recebeu sua grana de volta.

Este episódio seria cotidiano, exceto por um detalhe: Aquela empresa não vendia pneus. Quando o assunto chegou à diretoria, o gerente foi elogiado, pois um cliente satisfeito normalmente compartilha isto com uma pessoa, mas quando está insatisfeito, fala para outros onze.

Qual é o perigo da mentalidade de consumo?

Facilmente transferimos esta forma de lidar com mercadorias, projetando-a em pessoas, e assim construímos relacionamentos baseados em conforto e bem estar, e não em compromisso, responsabilidade e cuidado mútuo.

É fácil se tornar um consumidor nos relacionamentos humanos. É comum vermos pessoas se aproximando das outras tendo apenas amizades funcionais, assim, enquanto encontram vantagens são amigas, mas quando torna-se necessário encorajar e apoiar, tal relação é rompida e a pessoa é descartada.

Na esfera comercial, fala-se hoje de obsolescência industrial. Um produto é feito para durar um tempo curto, e não para durar, por isto eletrodomésticos precisam ser constantemente trocados, sendo substituídos por outro. O mesmo se dá na área emocional, já que a humanidade sofre de obsolescência afetiva, ou como Zigmunt Bauman afirmou, somos uma sociedade de “amor líquido”. As relações não tem consistência  nem são duráveis, mas passageiras e temporais. Nós não nos comprometemos com os outros, mas usamos os outros.

A família sofre direta e recorrentemente deste mal. Casais não se comprometem para cuidar, mas para receber benefícios. Enquanto vale a pena e há proveito, o relacionamento é mantido, mas qualquer sinal que leve ao sacrifício e doação, torna-se uma razão para que o relacionamento seja interrompido.

Até mesmo na religião tem surgido o consumismo religioso. As pessoas não se aproximam de suas comunidades perguntando como podem servi-las, mas olhando qual beneficio poderão receber. O propósito não é servir, cuidar, ajudar, cooperar, mas receber e levar vantagem, e, se a “mercadoria” não parece boa, muda-se a prateleira e busca-se outro “shopping espiritual” para satisfazer a insaciabilidade do consumo.


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É importante refletir no fato de que a doação, o compromisso e o sacrifício, apontam para aspectos mais profundos da alma. Relacionamentos significativos florescem em compromissos sólidos, enquanto o consumismo sufoca relacionamentos autênticos. Quando a mentalidade de consumo é desmascarada, a pessoa entende que é responsável, e para quem é responsável. Quem quiser criar uma cultura de relacionamentos profundos e duradouros, precisa aprender a se comprometer e doar.

Autor: Samuel Vieira – Pastor na Primeira Igreja Presbiteriana de Anápolis
Fonte: http://revsamuca.blogspot.com.br/